
As exportações brasileiras de carne bovina para a China ganharam força em maio e acenderam o alerta na indústria frigorífica. O volume embarcado para o mercado chinês alcançou 157,6 mil toneladas no mês, aumentando as expectativas de esgotamento da cota anual de 1,1 milhão de toneladas estabelecida para 2026.
Com a aproximação do limite da cota, frigoríficos em diferentes regiões do país já começaram a ajustar suas operações. Há registros de redução de abates, suspensão da produção voltada ao mercado chinês e até concessão de férias coletivas em algumas plantas habilitadas para exportação.
Do total exportado em maio, 153,9 mil toneladas correspondem à carne bovina in natura, produto que integra a cota negociada com o mercado asiático. O restante contempla miúdos, produtos industrializados, gorduras e tripas.
Frigoríficos ajustam produção para evitar sobretaxação
Segundo fontes do setor, algumas empresas devem encerrar ainda nesta semana os abates destinados exclusivamente à produção do chamado “boi China”, categoria que atende às exigências do mercado chinês.
Outras companhias devem manter a operação apenas até a próxima semana, enquanto algumas unidades já adotam medidas para reduzir a produção e adequar os volumes ao novo cenário.
A preocupação central está relacionada à possibilidade de ultrapassar a cota estabelecida pela China e passar a pagar uma sobretaxa de 55% sobre os embarques excedentes, o que reduziria significativamente a competitividade da carne brasileira.
Impactos podem chegar ao mercado pecuário
Analistas avaliam que a redução do ritmo de produção pode gerar reflexos diretos na cadeia pecuária nacional.
Com menor demanda por animais destinados ao mercado chinês, existe a expectativa de pressão sobre os preços da arroba do boi gordo. Além disso, o aumento da ociosidade nas plantas frigoríficas pode afetar o ritmo de compras de gado em diversas regiões produtoras.
De acordo com especialistas, a indústria já começou a revisar programas de bonificação pagos aos pecuaristas por animais enquadrados no padrão exigido pela China.
Cota chinesa pode ser preenchida nos próximos meses
Dados do setor indicam que a China contabilizou a entrada de 612,9 mil toneladas de carne bovina brasileira entre janeiro e abril, o equivalente a 55,4% da cota anual.
Como parte dos embarques realizados em março, abril e maio ainda está em trânsito marítimo, a expectativa é que o volume restante disponível seja rapidamente consumido nos próximos meses.
Há divergências entre empresas sobre o prazo exato para o encerramento da cota. Enquanto algumas estimam que o limite será atingido já no início de julho, outras acreditam que ainda existe espaço para exportações até o final do mesmo mês.
A definição deve ocorrer após a divulgação dos novos dados do Ministério do Comércio da China (Mofcom), prevista para o final de junho.
Mercado busca alternativas
Diante das incertezas, frigoríficos já começam a redirecionar parte da produção para outros mercados importantes, como Estados Unidos e Chile.
A estratégia busca minimizar impactos financeiros e manter a utilização das plantas industriais caso as exportações para a China sejam temporariamente reduzidas após o preenchimento da cota.
O cenário reforça a importância do mercado chinês para a carne bovina brasileira e evidencia os desafios enfrentados pela indústria para equilibrar produção, exportações e rentabilidade diante das restrições comerciais.
Fonte: Globo Rural






