Início » Mercado » Confinamento cresce 16% no Brasil e DSM reforça estratégia na proteína animal

Confinamento cresce 16% no Brasil e DSM reforça estratégia na proteína animal

Empresa apresenta dados do Censo de Confinamento, destaca avanço tecnológico na pecuária e comenta nova fase após acordo de venda da divisão de Nutrição e Saúde Animal

Compartilhe essa notícia

A DSM-Firmenich apresentou os dados mais recentes do Censo de Confinamento no Brasil, que apontam 9,25 milhões de cabeças bovinas confinadas em 2025, e reforçou sua estratégia baseada em inovação, nutrição animal e tecnologia para impulsionar a produção de proteína animal. As informações foram divulgadas durante encontro com a imprensa agro realizado hoje dia (10) no hotel Ranaissance.

Segundo Luiz Magalhães, presidente do negócio de Nutrição e Saúde Animal da dsm-firmenich para a América Latina, o levantamento se consolidou como uma das principais referências do setor pecuário. “Hoje a gente vai falar basicamente de pecuária dentro desse processo e o foco principal sem dúvida é o confinamento e os dados de confinamento, que são muito válidos e usados como referência no mercado pecuário e servem até para tomada de decisões da indústria”, afirmou.

O estudo aponta que o Brasil registrou 9,25 milhões de cabeças confinadas em 2025, distribuídas em 2.445 propriedades, crescimento de 16% acima da média histórica. Mato Grosso concentra 24% dos animais confinados e o Centro-Oeste responde por 49% do total nacional.

Walter Patrizi, gerente de Confinamento da DSM-Firmenich na América Latina, destacou a retomada da rentabilidade na atividade após um período de pressão nos custos. “Passamos por um momento histórico com o confinamento dando prejuízo por quase dois anos, mas tivemos retomada em 2024 e, em fevereiro, um retorno em torno de 15% a 20%, que é muito positivo”, disse. Segundo ele, 76% dos confinamentos brasileiros já utilizam algum tipo de software de gestão. “Cada vez mais produtores estão trabalhando com base em dados e não na intuição. O produtor que investiu em tecnologia ganhou mais dinheiro”, afirmou.

No cenário de mercado, a companhia aponta perspectivas positivas para a proteína animal, com o Brasil mantendo posição estratégica. Magalhães destacou a força do país no abastecimento global. “O mercado de proteína animal de uma forma geral é crescente e vai continuar sendo crescente. Isso é muito bom e muito melhor para o Brasil, que é destaque global na produção e exportação de proteína animal”, afirmou.

O executivo também comentou o acordo para desinvestimento da divisão de Nutrição e Saúde Animal para a CVC Capital Partners, em operação avaliada em cerca de € 2,2 bilhões. A DSM-Firmenich manterá participação de 20% no negócio. “É um anúncio importantíssimo que define claramente a continuidade de toda estratégia que a gente está adotando. Vamos continuar investindo sempre na indústria e no desenvolvimento de nossos clientes”, disse.

Segundo Magalhães, a conclusão da operação depende de aprovações regulatórias e deve ocorrer até o fim de 2026. Até lá, a empresa seguirá operando normalmente. “Continuamos sem nenhum tipo de alteração, mantendo os investimentos necessários e atendendo o mercado e os nossos clientes da melhor forma possível”, afirmou.

Na pecuária de corte, a expectativa é de um ano positivo, apesar das oscilações no mercado internacional. Túlio Ramalho, diretor da Unidade Operativa de Ruminantes da DSM-Firmenich, destacou o protagonismo brasileiro. “O Brasil bateu recorde de produção de carne e continua com forte presença nas exportações. Temos tudo para ter um ano positivo em relação à carne bovina”, afirmou. Para o executivo, o déficit global de carne bovina tende a sustentar a demanda. “O déficit de carne bovina no mundo é uma realidade”, disse.

João Yamaguchi, gerente de gado de corte a pasto da companhia, destacou a evolução das soluções nutricionais no campo. “A gente tem levado desempenho, saúde e bem-estar para o animal. As soluções mais recentes têm melhorado imunidade e produtividade e trazido mais praticidade ao produtor”, afirmou.

No leite, a companhia avalia que o Brasil tem potencial de liderança global, apesar dos desafios de custo. Marcelo Machado, gerente de leite da DSM-Firmenich para a América Latina, ressaltou a necessidade de elevar a eficiência produtiva. “O Brasil é uma grande oportunidade e deve ficar entre primeiro e segundo lugar nos próximos anos, mas precisamos produzir mais sem custar o planeta”, disse. Ele também destacou o papel da tecnologia na gestão das fazendas. “A inteligência artificial vem para ajudar a tomar a melhor decisão e simplificar a vida do produtor e do nutricionista”, afirmou.

A digitalização e o uso de dados foram apontados como vetores centrais para o avanço da pecuária. Vanessa Porto, diretora de Pecuária de Precisão da DSM-Firmenich, destacou a integração entre soluções. “O sucesso está na combinação de nutrição, tecnologia e consultoria”, afirmou.

Thiago Vilhena, executivo de suprimentos da companhia, ressaltou a mudança no perfil do produtor e o papel da inovação. “Hoje quem cresce é quem produz bem e de forma sustentável. A inovação é o foco da DSM-Firmenich e a inteligência artificial propicia decisões mais assertivas para o produtor”, disse.

Para a empresa, a estratégia passa por ampliar o uso de dados, soluções nutricionais e ferramentas digitais para elevar a eficiência produtiva e reduzir impactos ambientais. “A gente acredita que tem um papel importante de alimentar o mundo, mas isso não pode custar o planeta”, afirmou Magalhães.

Com o avanço do confinamento, a digitalização das fazendas e a nova fase estratégica do negócio, a expectativa é de fortalecimento da produção de proteína animal nos próximos anos. “2026 começou com desafios, mas também com muitas oportunidades. Com todas as transformações em curso, estaremos ainda mais fortes para trabalhar junto dos nossos clientes no crescimento do mercado”, concluiu Magalhães.

Fonte: Feed Food

Veja também

Compartilhe essa notícia