
O Valor Bruto da Produção (VBP) do Espírito Santo atingiu um patamar inédito em 2025, chegando a R$ 37.687,19 milhões. O resultado representa um avanço expressivo de 38,1% em relação aos R$ 27.285 milhões registrados em 2024. Este crescimento coloca o estado em uma trajetória de descolamento positivo frente à média nacional.
Enquanto o Espírito Santo viu seu faturamento saltar mais de um terço em apenas um ano, o VBP do Brasil apresentou um crescimento de 15,6%, passando de R$ 1.221.285 milhões em 2024 para R$ 1.412.203 milhões em 2025.
Esse desempenho superior permitiu ao Espírito Santo elevar sua relevância no cenário federal: a participação capixaba no VBP nacional subiu de 2,23% em 2024 para 2,67% em 2025. Economicamente, isso indica que o agronegócio local não apenas acompanhou a valorização das commodities, mas ganhou eficiência e escala acima da média das demais unidades da federação.
A estrutura produtiva do estado permanece fortemente concentrada nas lavouras, que respondem por 85% (R$ 31,9 bilhões) do faturamento, enquanto a pecuária detém 15% (R$ 5,7 bilhões).
As 5 Maiores Atividades:
- Café: O motor da economia capixaba faturou R$ 29.218,2 milhões, representando sozinho 77% de todo o VBP estadual.
- Ovos: Principal força da proteína animal local, com R$ 2.151,7 milhões.
- Bovinos: Registrou R$ 1.467,4 milhões.
- Frangos: Gerou R$ 1.096,3 milhões.
- Banana: Com R$ 831,1 milhões, fecha o “top 5” e lidera entre as frutas.
Evolução Histórica
O gráfico de série histórica (2018–2025) revela que, após um período de relativa estabilidade entre 2018 (R$ 14,1 bilhões) e 2020 (R$ 14,1 bilhões), o estado iniciou uma escalada consistente. O salto entre 2024 e 2025 é o maior de toda a série.
Embora haja uma inflação nominal nos preços das commodities, o salto de 166% desde 2018 sugere um crescimento estrutural, impulsionado especialmente pela valorização e produtividade do café, que puxa a curva do estado para cima.
Os dados revelam que o agronegócio do Espírito Santo enfrenta um desafio de extrema concentração. A dependência do café (quase 80% do VBP) torna a economia estadual vulnerável a oscilações de preços internacionais e fatores climáticos específicos desta cultura.
Além disso, nota-se uma estagnação ou declínio em culturas de subsistência e grãos (arroz e feijão), o que aponta para uma especialização produtiva voltada ao mercado externo e à avicultura de postura (ovos), em detrimento da diversificação de culturas anuais. A manutenção do crescimento dependerá da capacidade do estado em verticalizar a produção de café e fortalecer a cadeia de proteína animal para mitigar os riscos da monocultura predominante.
O Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo.







