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Piscicultor paranaense investe R$ 7 milhões para ampliar a produção de tilápia

Segundo o Deral, em dez anos, produção do peixe no Estado cresceu 170%, para 192 mil toneladas

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O piscicultor Moacir Niehues, de Palotina, no oeste do Paraná, implantou o cultivo de tilápia na propriedade há quatro anos e está investindo R$ 7 milhões para incrementar o negócio. A produção de 1,2 milhão de tilápias por ciclo deve ter um incremento de 72%, passando para pouco mais de 2 milhões de peixes por ciclo, nos próximos anos.

“É uma atividade bem interessante, do ponto de vista financeiro, considerando os custos, é possível obter o retorno total do investimento em aproximadamente dez anos”, avalia Niehues.

Para a ampliação, o piscicultor optou por uma nova tecnologia, que consiste na criação de tilápias em tanques recobertos com geomembrana. A inovação está sendo levada ao campo pela cooperativa C.Vale, onde ele é integrado. O produtor explica que o novo sistema permitirá ampliar o alojamento de tilápias em 72%, aumentando a área da piscicultura em apenas 16%. Isso porque o novo modelo permite o alojamento de 30 peixes por metro quadrado contra sete peixes pelo método convencional.

“Essa nova metodologia promoverá uma melhor eficiência dos recursos naturais, pois em menos área a produção será muito maior”, considera. Ele também destaca que haverá uma redução significativa do volume de água utilizado: “em torno de 90%, em comparação com o sistema convencional”.

Atualmente, a propriedade conta com nove tanques distribuídos numa área de cultivo de 17,5 hectares de lâminas d’água. Depois de conhecer a nova tecnologia, ele decidiu construir mais 12 tanques de 16 X 250 metros, com geomembrana. As obras estão previstas para começar em breve e devem estar concluídas no segundo semestre de 2026, ampliando em 2,88 hectares a área de criação da propriedade.

Acostumado com os números, ele ainda compara que seriam necessários 232 hectares de soja para produzir a renda bruta equivalente aos 2,88 hectares destinados às tilápias em alta densidade.

Com a multiplicação em mais de quatro vezes o número de peixes por metro quadrado, Niehues ressalta que fará uma estrutura reforçada para garantir o fornecimento de energia elétrica sem interrupções. “A meta é garantir a oxigenação da água permanentemente, sem riscos diante da lotação maior nos tanques”, completa. Além da linha que leva energia à propriedade, o sistema terá dois conjuntos de geradores.

Incremento no Estado

A tilápia tem se consolidado como a proteína de maior expansão no Paraná. A análise é do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, com base no Valor Bruto de Produção (VBP), índice de frequência anual que considera a produção agrícola municipal e os preços recebidos pelos produtores.

Nos dois últimos anos computados, o VBP da tilápia saltou de R$ 1,25 bilhão (em 2022) para R$ 1,83 bilhão (em 2024), uma alta de 46%. Já o VBP de bovinos recuou 6%, o de frango caiu 9% e o de suínos avançou 5% no mesmo período.

“Temos registrado no Estado um investimento pesado na produção de tilápia, por parte de cooperativas e de agroindústrias. Paralelamente a isso, a espécie tem potencial produtivo e boa aceitação por parte do consumidor brasileiro, que aprecia o sabor suave do produto, além do preço acessível”, avalia Carlos Hugo Godinho, coordenador de conjuntura do Deral.

O especialista destaca que o Paraná é o maior produtor de tilápia do país e que a produção mais que dobrou em dez anos. Enquanto em 2015 foram produzidas 71 mil toneladas da espécie, em 2024 o volume saltou para 192 mil toneladas, um crescimento de 170,4%.

O Deral aponta ainda que, nos últimos 14 anos, a tilápia registrou crescimento médio nominal anual de 24% no VBP, ritmo também superior ao das demais proteínas: bovina (10%), suína e de frango (cerca de 14%).

Agroindústria

O avanço do segmento da produção de tilápias no Paraná também tem chamado a atenção de agroindústrias. A GTF – antiga GTFoods -, de Maringá, inaugurou há quatro anos uma unidade para abate do peixe em Mandaguaçu, no noroeste do Estado. Segundo Vinícius Gonçalves, vice-presidente da GTF, o projeto prevê R$ 50 milhões de investimento nos próximos anos e pode chegar a R$ 100 milhões no total, a depender do nível de verticalização que será adotado pelo grupo.

“Estamos colocando nossa expertise com o frango nesse novo desafio”, afirma Gonçalves. A empresa atua no abate de aves e comercialização de frangos há 34 anos, setor que representa 90% do faturamento do grupo. Conforme o executivo, na receita líquida de R$ 4,5 bilhões da GTF em 2025, a tilápia representou menos de 1%, com R$ 40 milhões.

“Ainda é um negócio relativamente pequeno na companhia, mas a gente acredita muito no potencial da tilápia como proteína, incluindo a baixa rejeição do consumidor”, comenta.

A operação inclui uma fazenda no município de Terra Rica, a cerca de 100 km de Mandaguaçu, em que é feita a produção própria de 80% dos peixes recebidos na indústria. Atualmente, são abatidas 12 mil tilápias por dia na unidade. Gonçalves revela que o objetivo é atingir o volume de produção de 100 mil tilápias/dia em um prazo de três anos. Mas como o processo depende de licenciamento de áreas para a atividade, esse prazo pode se estender.

A fazenda opera com 80 hectares de lâmina d’água, mas tem capacidade para atingir próximo de 250 hectares. “Quando estiver 100% completo, será um dos maiores projetos de tilapicultura do Brasil em uma única área”.

De acordo com o Deral, a produção de pescados tornou-se uma das cadeias agroindustriais mais dinâmicas do Paraná, apresentando evolução constante nos últimos anos. Em 2024, o VBP atingiu R$ 2,29 bilhões, avanço de 10,4% em relação a 2023.

“Esse resultado decorre principalmente da força da piscicultura em cativeiro, com destaque absoluto para a tilápia, responsável por mais de 80% do VBP do setor”, informa o boletim conjuntural publicado em dezembro de 2025 pelo órgão.

Para efeitos comparativos, o Deral também aponta que, em 2011, o VBP conjunto de bovinos (boi gordo + vaca para corte), frangos, suínos e tilápia totalizava R$ 10,55 bilhões, sendo a participação da tilápia de 1%. Já em 2024, o VBP conjunto atingiu R$ 48,4 bilhões, e a tilápia passou a representar 4% desse total, demonstrando o ganho de relevância ao longo desse tempo.

Fonte: Globo Rural

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