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Mesmo com tarifaço dos EUA, exportações de carne bovina do Brasil bateram recorde em 2025

Embarques somaram 3,5 milhões de toneladas, com receita de US$ 18 bilhões

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Os frigoríficos brasileiros exportaram 3,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2025 e encerraram o ano com receita de US$ 18 bilhões, com a venda da proteína para 170 países. O resultado é recorde e representa crescimentos de 40,1% no faturamento das exportações e de 20,9% no volume embarcado na comparação com 2024, quando foram exportadas 2,89 milhões de toneladas a US$ 12,8 bilhões.

Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior e foram compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A China foi o principal destino das exportações de carne bovina brasileira em 2025, responsável por cerca de 47% da carga enviada pelo Brasil ao exterior no ano passado. O país asiático comprou o volume recorde de 1,67 milhão de toneladas, alta de 22,8% em relação às 1,36 milhão de toneladas enviadas pelos frigoríficos brasileiros para lá em 2024. Os negócios renderam US$ 8,9 bilhões, 46,5% a mais do que no ano anterior, quando o faturamento chegou a US$ 6 bilhões.

O resultado mostra a importância da China para o setor pecuário brasileiro e reforça o alerta dos exportadores com as salvaguardas na importação de carne bovina impostas pelos chineses no fim de 2025. De acordo com a medida, o Brasil poderá exportar 1,1 milhão de toneladas sem tarifa extra em 2026 para lá, volume 31% menor do que o volume exportado no ano passado. O excedente será taxado em 55%. Setor privado e governo buscam negociações com Pequim para minimizar os impactos.

Mesmo com o tarifaço americano, que atrapalhou os negócios das empresas brasileiras entre agosto e novembro, os Estados Unidos se consolidaram como segundo principal cliente da carne bovina nacional. Em 2025, os embarques da proteína vermelha para lá cresceram 18,3% ante 2024 e chegaram a 271,8 mil toneladas. O faturamento aumentou 21,3%, para US% 1,6 bilhão.

Na lista dos cinco maiores importadores da carne bovina brasileira estão também a União Europeia (128,8 mil toneladas e US$ 1 bilhão), o Chile (136,2 mil toneladas e US$ 754,5 milhões) e o México (118 mil toneladas e US$ 645,4 milhões). Rússia, Filipinas, Egito, Hong Kong e Arábia Saudita completam o ranking dos dez principais destinos das exportações da proteína nacional.

Na lista dos 10 principais importadores, apenas Hong Kong teve desempenho inferior a 2024, com queda de 15,3% no volume importado (98,9 mil toneladas) e de 8,5% no faturamento (US$ 355,3 milhões).

Em dezembro, as exportações de carne bovina aumentaram 50,4% em volume e 67,3% em valor na comparação com o mesmo mês de 2024. Foram embarcadas 347,4 mil toneladas, com faturamento de US$ 1,85 bilhão. Em dezembro de 2024, o Brasil vendeu 231 mil toneladas a US$ 1,1 bilhão.

Com a retirada das tarifas adicionais de 50% dos EUA sobre a carne bovina brasileira em novembro, os frigoríficos retomaram o ritmo de vendas aos americanos e embarcaram 27,2 mil toneladas no último mês de 2025. O volume mensal só ficou abaixo dos embarques feitos em março (42,1 mil toneladas), abril (47,8 mil toneladas) e maio (27,4 mil toneladas) do ano passado.

Para a China, principal cliente brasileiro, as vendas aumentaram em relação a dezembro de 2024. Foram embarcadas 153 mil toneladas, alta de 32% na comparação com as 115,9 mil enviadas no último mês do ano anterior.

Mesmo assim, houve desaceleração na comparação com os meses anteriores de 2025. O pico das exportações foi em outubro, com embarque de 190,8 mil toneladas. O ritmo diminuiu já em novembro, para 178,8 mil toneladas.

O volume exportado em dezembro, porém, é semelhante ao pico registrado em 2024, de 159,5 mil toneladas em outubro daquele ano.

Fonte: Globo Rural

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